Papéis Vivenciados na Terapia de Vidas Passadas
março 2, 2009 por hugolapa
Dentro da TVP, podemos revestir cinco papéis principais, dos quais falarei de três por enquanto, que são arquétipos da condição humana:
Algoz (ou perseguidor) – Aquele que submeteu outros ao sofrimento de várias formas possíveis. (vidas de algoz podem provocar -> culpa excessiva, remorso, auto-martírio, auto-cobrança, não-aceitação dos erros, etc).
Vítima – Aquele que foi submetido a toda uma série de situações negativas e catástrofes em vidas anteriores, das mais simples às mais complexas, das mais graves às mais leves, sejam físicas, psicológicas ou espirituais. A vítima geralmente é objeto de muito sofrimento que é causado por outro, chamado de algoz. Há vidas em que passamos pelos dois papéis. Por exemplo, no início de minha vida fui algoz e terminei minha vida sendo vítima do mesmo mal que pratiquei. A alternância desses papéis mostra claramente a ação inexorável da lei do carma e da lei da compensação. Se uma pessoa tem um comportamento e uma vibração de vítima, é provável que ela atraia aquilo que acumulou em sua vibração. Sua energia vai atrair o semelhante e mais e mais pessoas podem se valer desse “convite” em sua vibração para maltrata-la de diversas formas. Atraímos aquilo que somos e o que pensamos.
Em vidas futuras, é possível que o mesmo espírito sinta-se a vítima das circunstâncias da vida, fazendo sempre o tipo “coitadinha”, não tomando as rédeas da própria vida, deixando-se levar pela maré, não se responsabilizando pelos seus atos, atribuindo a culpa aos outros, etc. As vidas de vítimas podem provocar: complexo de inferioridade, culpabilização dos outros e do mundo, depressão, falta de confiança em si mesmo, baixa auto-estima, reclamações excessivas, criticismo, desejo de vingança etc.
Observador – Aquele que não fez nem foi submetido a nenhum sofrimento, mas observou tudo o que se passou. Essa observação de eventos negativos ou traumatizantes pode gerar uma série de conseqüências que se refletem na vida atual, como impotência e seus vários desdobramentos.
Perpetrador – Aquele que manda executar. Ele mesmo não age, mas ordena que outros façam. Isso pode gerar culpa, remorso, raiva e outros sentimentos negativos. Talvez o perpetrador seja ainda pior do que o algoz, pois além de envolver outra pessoa em sua ação vitimizadora, ele mesmo não tem coragem ou não deseja arriscar-se para praticar o ato.
Salvador – Aquele que sente a necessidade de ajudar o outro mesmo sem ser solicitado. Todos devem conhecer uma pessoa que passa todo seu tempo preocupando-se se tal pessoa está bem e querendo fazer algo para ajudá-lo. Vive sua vida em “função” dos outros e não “com” os outros. O salvador ou ajudador geralmente possui: agressividade reprimida, ajuda não solicitada, complexo de superioridade (se acha bom o suficiente para ajudar aos outros ou impor como eles devem ser e agir) etc. Os salvadores podem ainda justificar seu fracasso com base na sua boa intenção. “Não importa se errei, minha intenção era boa e isso diz tudo”. É uma forma sutil de insentar-se da responsabilidade de seus atos em decorrência das boas intenções. O salvador acredita que ajuda o outro pelo outro, mas na realidade, muitas vezes, faz algo bom esperando receber algo em troca, mesmo que inconscientemente.
Em nossos estudos com a TVP constatamos que esses papéis sempre se alternam. Frequentemente pessoas que numa vida foram vítimas, na vida seguinte podem ser os algozes e vice-versa. É muito comum que pessoas que tiveram uma convivência em várias vidas sejam vítimas numa vida e algozes em outra. Isso faz cair por terra toda a idéia de que alguém possa ser um “coitadinho, vítima das circunstâncias da vida e do capitalismo selvagem”.
Porém, tudo se encadeia na natureza. Se ontem eu fiz outros sofrerem, hoje eu sofro as conseqüências do que realizei. Essa troca de papéis é fundamental para o aprendizado. Sei que é errado fazer mal a outros, por que hoje outros me fazem passar pelo mesmo mal que pratiquei no passado. Na TVP, temos a oportunidade de ver a lei de causa e efeito na prática, não apenas como teoria. A maioria do aprendizado é despertado na prática. Se na vida atual eu tenho grande facilidade de dialogar e até escrever sobre um tema, no passado eu já havia tomado contato com ele, provavelmente na prática e isso me faculta abordá-lo de diversas formas – seja em minhas atividades, seja em exposições teóricas.