Saúde Mental, o Mito de Orfeu e a TVP
fevereiro 20, 2009 por hugolapa
Na mitologia Grega, Orfeu era um poeta e um músico que tocava a lira de Apolo, e com isso, conseguia tranqüilizar animais e homens e emitir vibrações de paz aos lugares por onde andava. Orfeu precisou descer aos infernos para recuperar a sua amada, Eurídice, morta após uma picada de serpente. Chegando aos infernos, tocou sua lira e conseguiu transpor o portal do mundo dos mortos, guardado por Cérbero. Chegando em frente a Hades, o deus dos mortos, tocou novamente a sua lira, deixando Hades tão comovido que permitiu Orfeu resgatar Eurídice. Quando Orfeu ascendeu de volta à superfície, acabou fazendo aquilo que foi advertido que não deveria, olhou para trás e acabou perdendo sua amada Eurídice para sempre.
Depois disso, Orfeu se tornou frio em decorrência da perda e as Mênades, mulheres desprezadas por ele, retornaram furiosas, atirando-lhe dardos. Com sua Lira, Orfeu conseguiu facilmente desviar os dardos, porém, as Mênades começaram a gritar e abafaram a música, e assim, elas conseguiram dominá-lo. Depois, despedaçaram a sua cabeça e o atiraram no rio. Orfeu permaneceu flutuando pelo rio. Após a morte, ele se uniu a Eurídice. Dizem que os rouxinóis das proximidades cantavam inspirados pela lira sagrada de Apolo tocada por Orfeu.Grandes pesquisadores dos mitos e símbolos já diziam.
Orfeu possuía a lira de Apolo. Esse deus grego era considerado o deus sol, o arquétipo do deus solar que pode ser encontrado em diversas tradições. O símbolo do sol tem uma significação muito importante no esoterismo, ele é considerado o centro de todo o sistema, de onde tudo procede. Aquele que irradia seus raios e dá vida a tudo. Além de Apolo ser considerado um deus solar, muitos outros deuses e redentores da antiguidade como Brama, Buda, Jesus, Krishna, Mitra, Hórus, Júpiter, Serapis, Zeus, etc, também eram vistos como encarnações da sol ou como alguns dizem, “sínteses da história do Sol”. Assim, Apolo era um regente supremo e de onde Orfeu conseguiu seu instrumento musical.
Eurídice, a mulher que Orfeu se apaixonou, era a sua parte feminina, o arquétipo oposto que o completava. Em nossa evolução espiritual, todos devem procurar aquilo que os completam, seu ânimus e sua ânima. Durante todo o processo de desenvolvimento da consciência, os gêneros se atraem e interagem com o objetivo de transmitir um pouco de sua vibração ao outro e assimilar o seu oposto, para com isso crescer através das contradições e dos paradoxos da existência. Eurídice estava no mundo dos mortos, pois foi picada por uma serpente e acabou morrendo envenenada. Em várias mitologias, o herói é representado como aquele que mata a serpente e assim, atinge a maestria sobre si mesmo. A serpente representa a kundalini, a energia central dos seres humanos, que se localiza na coluna vertebral a nível energético.
De acordo com as teorias reencarnacionistas e esotéricas, ao longo de nossas encarnações, num processo de nascimento e morte, precisamos retomar nossas partes perdidas, que ficaram presas em certas épocas, motivadas por traumas, apegos, padrões, vícios, erros, sofrimentos, etc. Os iniciados de todas as épocas são conhecidos como aqueles que descem ao submundo, ao inferno, aos reinos inferiores, e morrem para si mesmos, para o seu ego, e deixam sua identidade limitada de lado, desapegando-se dela. Eles descem para subir, retornam para seguir, perdem para ganhar, morrem para renascer. Assim também é o processo de resgate de nossas personalidades passadas que ficaram presas ao passado. Devemos morrer para elas para permitir que nosso ser interior e verdadeiro possa renascer e despertar. Assim, Orfeu também desceu aos infernos e conseguiu resgatar Eurídice, sua parte perdida no tempo e na ilusão. Todo esse processo representa, na Psicologia Junguiana, o contato com nossa sombra e como cada pessoa deve encarar seu “inferno pessoal” e desapegar-se de seus desejos inferiores para ascender ao céu.
Os esquizofrênicos e psicóticos são indivíduos que vão ao extremo de toda essa situação fragmentária. Vivem na ilusão de que sua realidade interior é uma realidade palpável, sendo muito sensíveis a seus processos interiores. O seu passado encarnatório fica retornando ao seu consciente e criando uma série de distúrbios e representações de aspectos não reconhecidos de si mesmos. Assim como Orfeu, eles ainda estão olhando para trás a procura de sua Eurídice, sua parte perdida, e não conseguem cortar os laços que os unem ao seu passado. Muitas dessas personalidades de vidas passadas podem falar com ele e até mesmo lhe fazer mal. Essas podem ser algumas das “vozes” que ele escuta, consideradas como alucinações auditivas pelos psicólogos e psiquiatras.
Todo esse quadro não tem como objetivo desmerecer as classificações da Psiquiatria sobre a doença mental, mas sim em procurar situa-las dentro de um espectro que inclua o nível encarnatório, energético e espiritual dos transtornos mentais. O esquizofrênico não será visto apenas como um doente mental, mas como um ser que está vivenciando uma crise espiritual que pode ser explicada em grande parte pelo seu passado encarnatório e sua condição espiritual atual. Depois da tentativa de humanização do hospital psiquiátrico, vamos perseguir agora um novo desafio de espiritualização da doença mental, dentro de um contexto não apenas humano e pessoal, mas também multidimensional e transpessoal.
Dessa forma, propomos uma nova abordagem sobre a saúde mental. Buscamos uma saúde que agregue os componentes físico, emocional, mental e espiritual do ser humano. Uma saúde mais integral, que leve em consideração a história das vidas passadas daqueles indivíduos, as energias que os envolvem, suas ligações kármicas, as influências que as experiências de seu passado encarnatório exercem sobre ele hoje em dia, uma compreensão ampla dos múltiplos aspectos dos seus diferentes níveis de expressão, sendo os mais importantes o físico, o emocional, o mental e o espiritual.
(HUGO LAPA)