As Falsas Idéias sobre a Terapia de Vidas Passadas

fevereiro 20, 2009 por hugolapa

 

Como toda abordagem nova, a TVP é passível das mais diversas interpretações por parte do público. Muitas vezes a incompreensão gera alguns mitos que atrapalham o entendimento das pessoas e muitas afastam os buscadores sinceros da Regressão. Nesta oportunidade, é importante esclarecer alguns desses mitos e dar uma visão mais condizente com a natureza da TVP.

1 – Não Voltar da Regressão

Não vejo qualquer possibilidade disso ocorrer nem nunca vi nenhum caso de algo dessa natureza. O que pode ocorrer é que, após a percepção e a revivência da existência pretérita e realizado todo o tratamento e a harmonização daquela vida, a pessoa sente-se num estado tão relaxado e puro (como se um peso enorme tivesse sido retirado de si) que ela tem uma certa dificuldade para retornar. O mesmo processo de quando estamos dormindo de forma bem relaxada e acordamos pensando que temos um dia cheio de trabalho e teremos que sair daquela estado quase “nirvânico” do sono onde tudo está harmonizado. Teremos alguma dificuldade de levantar para encarar a rotina, da mesma forma que uma pessoa ao retornar do estado de paz e harmonia que parece ser de “outro mundo”, sente dificuldade de reajustar sua consciência ao plano onde existe sofrimento, morte, erros, conflitos etc.

Veja que nessa situação ela não está presa ao passado, mas apenas encontra-se voluntariamente num estado natural e espontâneo do qual pode ter alguma dificuldade para voltar. Porém, isso é raro de acontecer. Em todo esse tempo que trabalho com TVP, nunca uma pessoa demorou mais de dois minutos para retornar e nunca vi nem fiquei sabendo de casos comprovados onde a pessoa por algum motivo não retornou. Isso é um mito provocado pela projeção do nosso próprio medo de encarar nossos conflitos internos que deverão ser todos revisados numa Regressão.
            Não tem sentido falar em “não voltar” de uma vida anterior, até por que a pessoa não “vai” a lugar algum. Ela apenas acessa energias de memória individual e coletiva que já estão presentes dentro dela mesma e que a influenciam de várias formas. A TVP visa justamente desbloquear a pessoa dessas energias e desativar essa influência que seu passado exerce sobre seu presente. Lembrando sempre que passado, presente e futuro são apenas um. Lívio Túlio Picherle relata em seu livro “Psicoterapias e Estados de Transe” que em 35 anos de trabalho com Hipnose, o máximo que uma pessoa demorou para retornar foram cinco minutos.

Quando regredimos a uma vida anterior, continuamos no presente. Mesmo quando existimos no passado, naquele momento o passado era o presente. Assim, só existe o momento presente. Nossa consciência é um fluxo contínuo dentro do eterno agora.

2 – TVP pode fazer a pessoa surtar

Se uma pessoa tem uma pré-disposição à loucura, qualquer evento ou acontecimento da vida que provoque um estado emocional mais forte, levando-a a conteúdos psíquicos que ela deseja dissimular, esconder de si mesma, reprimir e até esquece-lo por completo, pode em tese levar a pessoa ao surto e à loucura.
            Porém, devemos sempre lembrar o seguinte: todos nós temos, em alguma medida, uma estrutura de ego frágil e alguns transtornos psicológicos são apenas a exacerbação de estruturas psíquicas que todos possuem em maior ou menor grau. As pessoas ditas “normais” não são aquelas que não possuem uma estrutura de transtorno, mas aquelas que conseguem lidar bem com essas mesmas estruturas. Qualquer indivíduo é passível de se tornar um deprimido, dependendo do que ocorra com ele e das escolhas que venha a fazer. Ou seja, todos somos “loucos” em alguma medida, mas as pessoas ditas “normais” são aquelas que conseguem lidar bem com as estruturas psíquicas que tendem a quebra do equillíbrio do nosso psiquismo.
            Nesse sentido, qualquer coisa em nossa vida pode provocar um surto, mas a loucura, enquanto estrutura psicológica, já estava presente na constituição daquele indivíduo. Assim, não podemos dizer que foi a TVP ou qualquer outra coisa que provocou aquele estado de loucura, mas sim a estrutura ou constituição da pessoa.

É verdade que existem alguns relatos sobre pessoas que “surtaram” após a TVP. Antes de qualquer coisa, é preciso verificar se estas alegações são verdadeiras, pois existem pessoas que gostam simplesmente de inventar estórias baseadas na projeção de seu próprio medo. Sempre que alguém me pergunta sobre isso e diz que uma pessoa teve problemas com a TVP e eu questiono com “quem” e “onde” isso ocorreu, verifico sempre que foi alguém que conhece alguém que conhece alguém e assim pro diante. Ou Alguém que ouviu numa palestra sobre alguém que contou e percebemos que a pessoa mesmo que conta a estória não conheceu diretamente o caso, apenas ouviu dizer e acreditou. Dessa forma, não conseguimos averiguar a veracidade do fato. (tá no livro da Camila)
            Supondo que algum destes relatos seja verdadeiro, é de nossa opinião que se uma pessoa realmente surtou, é porque isso já iria ocorrer mais cedo ou mais tarde, porque a estrutura psíquica dela estava tão frágil que não agüentaria uma emoção um pouco mais forte. Nesse sentido, cabe ao terapeuta avaliar se a pessoa está neste estado de fronteira. Queremos aqui manifestar nosso repúdio a indivíduos que nunca pesquisaram sobre a TVP e ficam espalhando mentiras sobre supostos riscos da técnica, tirando a oportunidade de buscadores sinceros experimentarem a Terapia de Vidas Passadas e dela se beneficiar. Cremos que não há nada mais arriscado do que viver com sintomas e doenças que a TVP pode ajudar a solucionar. Nesse sentido, repetimos que tudo o que a TVP faz é nos colocar diante de nos mesmos e apenas veremos aquilo que já está presente em nós a todo instante. Nosso psiquismo atua através de princípios inteligentes e existem mecanismos naturais que nos protegem de certas representações inconscientes que poderiam nos desequilibrar de alguma forma.

3 – TVP só deve ser procurada em último caso

Tratei diversas pessoas que procuraram a TVP como último recurso. Depois de esgotados todos os recursos (a pessoa ir em médicos, psicológos, psiquiatras, terapeutas etc) devemos buscar a TVP para o tratamento de males desconhecidos ou aparentemente sem explicação. Assim, sem encontrar a solução do seu problema, elas finalmente recorrem a TVP.

Muitas dessas pessoas acreditam que a TVP é uma forma de terapia mais forte e intensa e que somente um sintoma ou problema igualmente forte e intenso justificaria seu uso. A TVP só é forte por que nos coloca frente à frente com o que somos e a intensidade da experiência é diretamente proporcional à intensidade do problema que já está presente dentro do indivíduo. Por isso, um problema mais forte, pede uma intervenção de nível mais profundo capaz de adentrar mais diretamente na raiz do problema.

As patologias e os conflitos que não têm explicação na vida atual podem ter sua origem em vidas passadas. Porém, mesmo problemáticas que se formaram na vida atual, podem possuir um princípio, mesmo que parcial, em outras vidas. Assim, um mesmo problema pode ter várias origens: pode ser multicausal, ou seja, passar de novo por uma situação parecida e reforçar ainda mais um problema na vida presente.

Por exemplo, uma pessoa que tem algum tipo de dificuldade afetiva na vida atual e teve vários desencontros amorosos. Ela pode ter sofrido na vida atual em decorrência desses conflitos amorosos, mas essa mesma situação de conflito em relacionamentos pode ter se repetido em várias vidas, a próxima vida reforçando a tendência negativa da anterior, e assim sucessivamente. Porém, também pode ocorrer que a pessoa passe pela mesma questão amorosa em várias vidas e em cada uma ela vá modificando, transformando e aprendendo sobre o problema, o que vai aos poucos ajudando o despreendimento da problemática afetiva.

Assim, mesmo quando há uma explicação plausível para o conflito localizado na vida atual, a TVP pode ser muito útil. Até por que, como já dissemos, dentro da Regressão a vidas passadas não tratamos apenas os conteúdos de existências anteriores, mas também de variadas e múltiplas fases da vida atual. Além disso, a TVP também é preventiva. Uma sessão de Regressão pode identificar e tratar uma energia que iria manifestar-se futuramente, mas como já foi prontamente reconhecida e harmonizada (com o aprendizado assimilado), não se faz necessária a expressão em forma de sintoma.

4 – A pessoa precisa ter “merecimento” para conhecer uma vida passada.

É difícil compreender em que contexto as pessoas se utilizam da palavra merecimento nesse caso. Se por merecimento elas compreendem nosso carma passado, talvez seja necessário que as pessoas ainda atravessem certas situações pela experiência antes de conseguir mergulhar mais profundamente em algumas informações sobre suas vidas passadas, pois tudo deve seguir fase por fase, passo a passo, alcançando gradualmente mais o autoconhecimento. Porém, quando aplicamos a palavra merecimento a possibilidade de conhecer nossas vidas anteriores para tratar problemas que emergem atualmente atrapalhando nossa vida, fico me perguntando como uma pessoa poderia ser proibida de ver suas vidas passadas quando ela busca seu crescimento e a melhora de seus problemas através do conhecimento do seu passado. Se a TVP realmente nos ajuda a tratar de transtornos, sintomas, conflitos, falhas de comportamento etc, por que existiria esse impedimento?

Se o merecimento fosse a causa de tudo, e nada pudesse ser feito sem o merecimento, então todos os bandidos, torturadores, estupradores, corruptos etc, do mundo estariam mortos, pois não teriam “merecimento”. Um assassino que matou quinze pessoas não conseguiria mais permanecer vivo, pois seu merecimento em estar vivo já teria terminado.

Essa questão do merecimento é, para mim, outra distorção, e mesmo alguns terapeutas caem nessa armadilha. Muitas vezes a pessoa busca tratamento, deseja melhorar e não consegue entrar em Regressão (talvez até mesmo por falha do terapeuta) e a resposta dada muitas vezes é “você não tem merecimento para regredir, por isso os espíritos de luz não permitiram a Regressão”.

Se a pessoa já está mal, pode ficar dez vezes pior, pois se ela busca o tratamento, deseja a sua melhora e não consegue regredir por que os “espíritos de luz” não a julgaram merecedora, então ela poderá se sentir a pior pessoa do mundo e nesse caso ela poderá desistir de buscar a sua melhora, pois ela poderá vestir a capa do “não merecimento” por acreditar na suposta autoridade do plano espiritual e do terapeuta, desistindo de se tratar. É possível que sua auto-estima piore e ela até mesmo caia num processo depressivo, se for uma pessoa mais sensível.

Todas as pessoas têm o direito sagrado de buscar a resolução dos problemas pelos quais passam em sua vida e ninguém tem o direito de desencoraja-las quanto a isso. Se ela acredita que não possui merecimento para melhorar, então ela deve permanecer com suas angustias, medos, sofrimentos, culpa, raiva, pobreza, sem nada poder fazer para sair dessa condição? Talvez essa seja a mais grave distorção da lei do carma ou princípio de causa e efeito. A distorção de que devemos necessariamente nos submeter a uma experiência negativa pelo resultado de nossos atos passados.

5 – Os espíritos de luz podem bloquear o processo quando a pessoa não está                          preparada

Muitos acreditam que a espiritualidade superior tem o poder de bloquear algum conteúdo psíquico que poderia desequilibrar a pessoa. Caro leitor, procure imaginar a cena de uma pessoa que deseja fortemente melhorar e crescer, vai num terapeuta, não consegue a princípio regredir e ela recebe a explicação de que pode não ter conseguido por que a experiência foi bloqueada por espíritos de luz, pois supostamente ela ainda não está preparada para conhecer certos fatos passados.

Na realidade, como já mencionei, nosso psiquismo possui um crivo natural que nos protege das várias representações negativas. É o caso de uma pessoa que sofre de amnésia traumática e reprimiu uma lembrança pois a intensidade emocional da experiência seria insuportável para ela. Nesse caso, foi a espiritualidade que bloqueou sua memória, ou foi ela mesma que, através de mecanismos de defesa, criou restrições ao seu acesso?

Dessa forma, se a própria pessoa bloqueou sua memória, por que um espírito de luz teria que intervir fechando a sua consciência para a percepção de si mesma? Neste caso, os espíritos de luz não fariam algo que nós mesmos já fizemos no plano do inconsciente.

De qualquer forma, a TVP não é o aprofundamento abrupto no passado. Temos que entender que as pessoas já estão mergulhadas dentro do seu passado e já o vivenciam. Muitas, inclusive, estão totalmente incorporadas com uma ou mais personalidades de vidas passadas. São como estátuas de sal viradas para trás. Na realidade, a maioria não vive no presente, mas vive o passado dentro do presente.

Temos que compreender o fato de que as pessoas já estão regredidas. O que vamos fazer é tirá-las da Regressão. Elas não poderão piorar ou ficar presas ao passado. Elas já estão mal e já estão presas ao passado. Assim, a TVP é um aprofundamento gradual, supervisionado, lento e sutil do entendimento do nosso passado. Aos poucos vamos descendo no poço profundo do nosso inconsciente e desvendando seus segredos e procurando transmutar toda a grande massa kármica que cria os fios do nosso destino.

6 – Conhecer uma vida de algoz pode provocar culpa e remorso.

Já tratei muitos e muitos casos parecidos e nunca a pessoa ficou com resquícios de culpa ou remorso. Ao contrário, sempre a pessoa obteve alívio, leveza e a compreensão necessária para continuar vivendo bem sem a influência dessas tendências que a prejudicavam.

Uma pessoa que teve uma vida de carrasco, poderia já trazer culpa e remorso. Ela não vai ficar com esse remorso depois de conhecer a vida, pois este já existe nela. Essa culpa já está presente, ela já sente essa culpa e essa culpa atrapalha as suas relações. A culpa existe, independente da pessoa lembrar do que fez ou não.

É o exemplo de uma mãe que faz todas as vontades do filho pois sente uma culpa que não sabe a origem. Quando vamos investigar seu passado, constatamos que ela pode ter prejudicado o espírito do filho de várias formas e hoje procura compensar isso. Ela se martiriza pela culpa e não sabe o que fazer para tira-la de si. Depois da TVP, ela entende o porquê da culpa e pode reparar o que fez, arrepender-se, tomar consciência dos erros, tratar a personalidade de algoz e assim, se desprender de tudo isso. Depois, a culpa relacionada a vida de algoz naturalmente entra num processo de dissolução.

7 – Devemos equilibrar a pessoa antes de vivenciar as vidas passadas.

Esse é outro equivoco tão comum quanto irreal. Em vez de equilibrar a pessoa para se submeter a terapia, talvez o mais recomendável fosse a realização da terapia para equilibrar a pessoa. A TVP serve justamente para a conquista do equilíbrio e da harmonia do psiquismo. Se todos fizessem terapia apenas quando estivéssem equilibrados para lidar com os conteúdos inconscientes, ninguém precisaria mais recorrer a qualquer abordagem terapêutica. Teríamos que fazer uma terapia para passar por uma terapia. Todos podem compreender a falta de sentido desse tipo de crença.

Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, não é necessário aguardar uma suposta preparação antes da TVP. Essa preparação deve ser perseguida com o próprio processo terapêutico, com as técnicas e procedimentos regressivos.

(HUGO LAPA)