Terapia de vidas passadas e auto-obsessão

Irei começar essa categoria do blog, TVP e…, com os temas que eu tratei no meu livro, O Fio de Ariadne. Mesmo tendo escrito bastante sobre esses temas, eles são tão ricos que sempre permitem mais comentários, além dos vários exemplos clínicos que sempre aparecem.
Sobre o capítulo do livro, que é no qual conto a história de Samanta, foi o que mais ouvi comentários dos leitores. Expliquei sobre as dificuldades que ela teve com um ex-namorado e todas as implicações de auto-obsessão, ou seja, todas as personalidades de passado que intervinham no romance, no caso 33 vidas passadas.
Para quem é iniciante no mundo da TVP, 33 vidas trabalhadas pode parecer um absurdo, pela quantidade e complexidade dos conteúdos. Dependendo do caso, esse número na verdade pode ser até maior, infelizmente.
Auto-obsessão nada mais é do que a influência que as nossas próprias personalidades de passado causam sobre a gente. Ou seja, é um processo que acontece com todos nós, com maior ou menor intensidade.
Um fator importante na auto-obsessão terapeuticamente é justamente trazer para a pessoa a responsabilidade pelo que lhe acontece. Muitas pessoas chegam na terapia esperando “tirar o encosto”, mandar passear aquele obsessor indesejável que incomoda e complica a vida. E muitas ficam surpresas quando constatam que o obsessor é interno, e não externo.
No livro expliquei quais são os 12 fatores de vidas passadas que costumam contribuir para que se desenvolva a auto-obsessão em grau mais acentuado, e apresentei 28 casos da bibliografia de TVP. São eles:
1)Culpa
2) Vidas em conflito entre si
3)Vidas em desacordo com a proposta atual
4)Postulados, idéias fixas, programações mentais
5)Comportamento condizente com determinada época histórica
6)Suicídio
7)Magia negra
8 )Conduta ilícita em sequência de vidas, ânsia por poder
9)Morte com carga emocional forte não drenada
10)Loucura
11)Afloramento específico que lembre morte
12)Obsessores com personalidade passada, através de pactos
O que mais se percebe nesses fatores como perfil geral é que a auto-obsessão acontece quando algo ficou pendente no passado, carecendo de resolução. Ou, por outro lado, há um padrão rígido e teimoso que a alma vai seguindo no decorrer dos séculos, apenas mudando de contexto histórico.
Uma boa orientação terapêutica é fundamental no caso da auto-obsessão, para que o perfil das encarnações seja traçado, as personalidades sejam devidamente tratadas e seja feito todo um processo de intervenções terapêuticas para que a pessoa se conscientize do papel que vem desenvolvendo, e consiga estabelecer as mudanças mais necessárias.
Normalmente pacientes de auto-obsessão são os mais difíceis para o terapeuta. Teimosos, obstinados em seus pontos de vista, só aderem à terapia quando os solavancos da vida já foram fortes o suficiente para dobrar seu orgulho. Requerem ao mesmo tempo paciência e rigidez, pois adoram ganhar uma boa discussão. O processo terapêutico mais indicado nesse caso é deixar que ele chegue às próprias conclusões, pois dificilmente irá dar o braço a torcer e admitir estar errado.
O orgulho e auto-obsessão andam de mãos dadas. O orgulhoso é auto-centrado, e se preocupa tanto consigo mesmo que acaba entrando em um processo de auto-obsessão. O orgulhoso costuma trazer em si o lado mais negro da humanidade: a preocupação egoísta e a postura arrogante, de baixo desenvolvimento moral e ética. A TVP costuma ser um confronto doloroso consigo, e olhar no espelho muitas vezes dói em casos assim.
Se você tem um perfil assim, saiba que a TVP pode te ajudar muito. Como teimosa que sou também, sou obrigada a admitir a verdadeira revolução que a TVP fez na minha vida, e também sou forçada a admitir que muitas vezes pensei em desistir. Afinal, a idéia que dá é que todo o seu sistema de crença está errado – e está mesmo!
Um grande exemplo entre todos os teimosos e auto-obsediados que tratei foi uma moça que chegou com a vida totalmente caótica no consultório: problemas familiares, profissionais, de auto-estima, de relacionamento pessoal e sexualidade. No final das contas ela era lésbica e não sabia, e isso sabotava toda a sua vida. Conforme ela foi se percebendo conseguiu terminar o noivado, se colocar para a família, arrumar um emprego e começar a assumir as rédeas da vida.
Claro que não cabe à terapia aprovar ou condenar qualquer comportamento. O que interessa é ajudar a pessoa a entender qual ponto de sua vida está desconexo, que tipo de caminho seria o mais adequado para ela naquele momento evolutivo. Homossexual, bissexual, heterossexual, gerente de uma empresa, trabalhador autônomo, morar sozinho, constituir família, ter filhos ou não, ficar solteiro, todas são decisões válidas e podem ser tomadas, contanto que essa seja a vontade da pessoa.
A auto-obsessão se estabelece justamente quando a pessoa está tão subjugada às forças do passado que não consegue tomar as decisões que precisa em sua vida. Naturalmente, tudo começa a ficar travado, pois a própria pessoa está travada.
Fica o convite para se libertar das amarras do passado com a TVP. O resultado pode te surpreender!